quarta-feira, 7 de março de 2012

Mais de Web Art

Vai aí pra vocês, mais algumas curiosidades do mundo Web Art


Nos anos 80, o artista britânico David Hockney produziu um pequeno escândalo em São Paulo, quando a obra por ele concebida para participar de uma das edições da Bienal foi enviada por fax, por causa de uma celeuma envolvendo as pesadas despesas com transporte e seguro. Estávamos então apenas iniciando a discussão da "desmaterialização da arte", ainda sob o impacto da polêmica exposição de obras "imateriais" (Les Immatériaux) organizada por Jean-François Lyotard no Centro Pompidou de Paris em 1985, e a idéia de uma obra "teletransportada" soava estranha aos nossos hábitos perceptivos fortemente marcados pela presença de objetos físicos "únicos" no espaço de exposição. No limite, se as obras se desmaterializam e se multiplicam, não faz mais sentido pensar num espaço físico para expô-las, ou num lugar para onde o público deveria se dirigir em períodos preestabelecidos. Elas poderiam ser recebidas em casa pelos mais variados meios, como o telefone, o videofone, o fax, o rádio e a televisão, ou ser "acessadas" por meio de redes telemáticas como a Internet.


Talvez a Bienal do futuro não aconteça mais num prédio instalado no Parque Ibirapuera, que abre as suas portas uma vez a cada dois anos para uma celebração coletiva. A Bienal do futuro poderia ser uma rede de conexões entre artistas e instituições que fazem trabalhos criativos, não localizada em lugar algum, disponibilizada para o acesso público e organizada por um corpo de curadores espalhados por todo o mundo.A web art ou net art é o setor mais recente dentro do sempre mutante campo das artes eletrônicas. Ela representa uma fusão da arte-comunicação com a arte digital.A primeira curadoria de web art no Brasil foi feita por Ricardo Ribenboim e Ricardo Anderáos para a 24ª Bienal Internacional de São Paulo, que ocorreu em 1998. Ela ofereceu ao público de qualquer parte do mundo a oportunidade de fazer um outro tipo de visita à Bienal, em que nem os artistas nem o público precisavam se deslocar fisicamente até São Paulo. Numa primeira acepção, a curadoria consistiu em propor uma coleção de links que permitiam dar forma, consistência e acesso a um conjunto já bastante expressivo de experiências artísticas que estavam acontecendo naquele momento na web. Não apenas trabalhos brasileiros foram indicados, mas também trabalhos de artistas internacionais já consagrados, com é o caso do grupo Jodi.


A idéia de organizar o acesso e a navegação em torno de conceitos tem a sua razão de ser. A web é hoje uma gigantesca e caótica acumulação de sites, páginas, frames e links, com conteúdos, formas gráficas e interfaces de toda espécie, abrangendo do melhor ao pior, do confiável ao desconfiável, do déjà-vu ao absolutamente imprevisível. Mais do que em qualquer outro campo de experiências, a web necessita de bússolas e faróis, que permitam tornar produtiva a tarefa de navegação e sobretudo atracar em porto seguro. Quando o que se busca é apenas informação, um bom mecanismo de procura (search) pode ser suficiente. Mas quando se trata de descobrir propostas e atitudes inventivas, é preciso que os próprios instrumentos sejam também criativos e abertos à irrupção do improvável. Uma curadoria adequada às experiências criativas na web deve, portanto, ter expertise suficiente para descobrir a interface adequada, capaz de permitir a navegação num ambiente que não é mais apenas um banco de dados. Se a web é realmente um organismo vivo, em contínuo movimento e metamorfose, com sites surgindo, desaparecendo ou se transformando a todo momento, não é preciso muito esforço para perceber que os seus mecanismos de pesquisa e navegação devem ter a mesma mobilidade.

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